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E se as empresas olhassem o outro lado da moeda?

Entre uma visita a um blog aqui e outro ali, encontrei no PR 2.0 o seguinte post: When Social Networks are Blocked for Your Own Good. Nele, o autor discorre sobre como empresas e funcionários têm agido com relação ao uso das redes sociais.

Tomando por base um estudo da Robert Half Technology que aponta que 54% das empresas proíbem todo e qualquer uso das mídias sociais no ambiente de trabalho, o post ressalta o impacto que o uso destas mídias pode exercer na reputação do funcionário e, mais do que isso, enfatiza a necessidade de se tomar cuidado com o uso que se faz destas redes. Um link presente no post redireciona para outro texto que trata da preocupação crescente das empresas americanas com o vazamento de informações internas através de email, Orkut e Cia. Por fim, a última frase do texto sugere o seguinte proceder:

Em vez de dar razões para que as empresas, em última instância, bloqueiem importantes redes sociais e novas oportunidades, mostre-lhes no que elas estão em falta através de suas ações, pesquisas e palavras.

Pois bem, deixando o post de lado, começaram meus questionamentos. Grifei este trecho na frase acima porque, para mim, ele capta a essência de como as mídias sociais devem ser encaradas pelas empresas. Elas estão aí para que possamos expressar opiniões e pensamentos – são, enfim, um espaço para o exercício da liberdade. Será, então, que no delicado relacionamento entre empresa e funcionário, propiciado pelo meio digital, o melhor que a empresa tem a fazer é vigiar e controlar o funcionário? Em outras palavras: mesmo que seja mais fácil para a empresa eliminar as contrariedades, este é o melhor jeito de lidar com a situação?

redes-sociais

O uso que fazemos das redes sociais reflete, entre outras coisas, nossos valores, nossas preferências e nossas maneiras de pensar e agir. Ao usá-las, logo, expomos nossa visão de mundo sobre um dado assunto, seja ele do cotidiano, da nossa vida particular ou profissional. Considerando que o ambiente corporativo tem, ao longo dos anos, aumentado a atenção dada às relações entre os funcionários e entre estes e a empresa, investindo e conferindo importância estratégica ao chamado clima organizacional, é válido pensarmos que estas novas mídias podem ser extremamente úteis às empresas que realmente estiverem interessadas em melhorar seu ambiente de trabalho. Afinal, já que está tudo online, basta querer para se conhecer melhor o que pensa aquele rapaz do Administrativo, ou quais os hobbies da nova funcionária do Departamento Jurídico…

Acho que o desafio que aqui se impõe é o de fazer um uso competente das informações que estão disponíveis na web, à disposição de todos, inclusive da empresa. E, quanto a este desafio, dois pontos merecem destaque.

O primeiro é o fato de que me parece muito limitado que uma empresa se preocupe em controlar o que eu falo, ao invés de se importar com o que eu falo, não? Quando o funcionário tem de deixar de ser exatamente ele mesmo, para ser alguém que não incomode a empresa, fica delineado, ao menos para mim, uma certa inversão de valores. Conseguir se importar, mais do que querer controlar e cercear é, certamente, algo que se deve ter em mente neste processo.

O segundo ponto alude àquela velha máxima de que “quem não deve, não teme”. E embora este ditado, no mundo corporativo, diga mais respeito ao funcionário do que à empresa, o momento atual se mostra muito propício para que a empresa também passe a entender o seu significado. Para ficarmos apenas no campo do clima organizacional, vejamos: uma empresa que, de fato, respeita seus funcionários e os valoriza, muito provavelmente contará com empregados satisfeitos; estes, ao terem vontade de emitir alguma opinião acerca da empresa e de seu ambiente de trabalho, muito provavelmente o farão ressaltando aspectos positivos. Em contrapartida, uma empresa cuja preocupação com seu funcionário não passe de discurso (ou nem chegue a fazer parte do discurso), muito provavelmente não poderá impedir que isto seja externalizado, seja por meio de redes sociais, seja pela imprensa, seja até pelo alto índice de rotatividade de funcionários, etc. Definitivamente, controlar, cercear e retaliar são verbos que sofrem um duro golpe com as novas mídias, uma vez que, agora, todos tem direito à fala.

Os paradigmas comunicacionais mudaram e o mundo corporativo precisa compreender que, mais do que adaptações de suas antigas posturas a essa nova realidade, estas mudanças demandam posturas completamente novas. Afinal, há melhor forma de um funcionário mostrar à empresa quem ele é, como gostaria de ser tratado ou no que ela está em falta do que através da livre expressão de suas ideias?

Rodrigo Pezzotta