Boas idéias dão resultado

Novamente falando sobre nossos colegas lusitanos, recebi esses dias um vídeo que eu, particularmente, gostei muito. Trata-se de uma ação criada pelos criativos da Fischer de Portugal, Bob Ferraz e Marcelo Mello, para incentivar as empresas a investirem na publicidade. Apesar de não ser tão recente – pelo que vi tem uns 3 meses – vale a pena pra quem ainda não viu.

Além da ótima idéia – na minha opinião – outra coisa me impressionou bastante quando resolvi dar uma pesquisada sobre o case: as duras críticas que o vídeo recebeu. Todas focando em um mesmo aspecto da ação: o suposto descaso dos criativos para com o famigerado Sr. Félix.

“Como sempre, a propaganda e o marketing exploram emocionalmente a miséria. Será que depois que esses incríveis profissionais de marketing provaram seu case, ganharam fama e glória com mais uma prova da criatividade da publicidade, ainda ajudaram o Sr. Felix ou ele voltou a ganhar seus 20 euros?”

É desse tipo de comentário – já com as devidas correções ortográficas – que estou falando. Ilustra bem o tom geral das críticas.

Tudo bem, eu concordo que, muito provavelmente, depois de terem arrecadado a grana pro Sr. Félix, deram tchau e nunca mais o viram, largando o coitado na rua (isso porque li que o cartaz ficou com ele, o que já é lucro!). Mas, afinal, quem disse que o propósito era tirar o Sr. Félix da rua?

O papo seria diferente se tivessem zoado com o indigente. Se tivessem filmado ele passando ridículo. Não foi o caso. Até onde o filme mostra, ele concordou em ficar ali, até porque ele não está acorrentado na placa. O mendigo ganhou, os criadores ganharam, o mundo da publicidade ganhou e os transeuntes também ganharam.

Tanto ganharam que deixaram muito mais dinheiro do que o normal, o que ilustra perfeitamente o abismo existente entre o consumidor e alguma “causa maior”. Já ouvi inúmeras vezes que não adianta pregar alguma luta mundial se ela não tange de maneira alguma a vida de seu público. E o Sr. Félix está aí pra mostrar que a única saída para aproximar a mensagem do receptor não é um argumento emocional. Basta – como se isso fosse simples – faze-lo participar. Neste caso, estamos falando de entretenimento. Tornou-se atração para os pedestres e, dando valor suficiente para a instalação do Sr. Félix, eles deixaram um trocado de bom grado. Sim, transformou-se miséria em entretenimento.

crianca

Mas dessa vez não foi – como supostamente acontece no famigerado programa global – o miserável que se beneficiou? Pode-se alegar que isso foi só conseqüência do benefício primário, que foi a fama dos publicitários, mas me parece muito mais inteligente investir uns neurônios e uns trocos em cartolina para gerar benefício pra todos, do que tirar burramente 60 euros do bolso e dar pro indigente.

Pois é, sempre vai ter gente criticando, sobretudo a publicidade. Mas, bem se sabe, é também na publicidade que a crítica muitas vezes é reação dos inertes frente a uma criatividade que, felizmente, cada vez mais gera resultados à altura.

Jannerson Xavier

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