Quase uma realidade

Realidade aumentada. Tecnologia que se desenha como fenômeno no horizonte. Cada vez mais vemos campanhas que se utilizam desse recurso para gerar mídia espontânea e aumentar o interesse do público, baseado unicamente na curiosidade que as pessoas têm de ver uma tecnologia tão diferente. Mas com certeza essa abordagem de “tendência” da Realidade Aumentada (RA), no mínimo, menospreza a real dimensão dessa tecnologia. Mesmo sendo um campo com implicações muito mais vastas do que a comunicação, comecemos por aí.

Praqueles que nunca viram ou nem ouviram falar: realidade aumentada é, em resumo, uma tecnologia que permite a interação em tempo real de elementos virtuais com elementos reais, através da captação de imagens, ou outros sinais. Na prática, você entra em uma página da internet que tem um software pronto que, através da sua webcam, detecta algum elemento chave e você pode visualizar no site, você interagindo com algo que na realidade não existe.

A partir daí é fácil ver um bom potencial (agora que ele já foi explorado, claro). Embalagens viram portadoras de informações que no método tradicional de impressão seria impossível transmitir, até porque a realidade aumentada lida com um ambiente 3D.

Acho essas iniciativas ótimas. É absolutamente gratuito, só se necessita de algum equipamento básico – o que não é difícil de ser avaliado no planejamento da campanha – e é uma experiência absolutamente enriquecedora no relacionamento da marca com o consumidor.

Porém é aí que entra a questão da hype, da empolgação. Cada mídia tem seus potenciais e suas deficiências, assim como o propósito da comunicação põe em dúvida a necessidade de um aplicativo com RA.
Esta campanha da Mini, por exemplo, me faz questionar o empenho do leitor em pegar a revista, levar a frente do computador, entrar no site da campanha, para então conseguir visualizar a peça. Com certeza a mensagem é enriquecedora – que tipo de propaganda te dá um modelo em 3 dimensões do carro? – mas de nada adianta se ela não chegar ao receptor.

É inevitável, porém, que quando se faça algo pela primeira vez, outros milhões sigam o modelo, sem perceber que cada caso é um caso, confundindo referência criativa com cópia mal feita. Por isso, acho mesmo que é um uso um tanto simplista esse modelinho de “pegue tal coisa, ponha na frente da webcam, e fique assistindo a você mesmo no computador”.

A realidade aumentada pressupõe um input, predominantemente visual, a identificação de elementos chave, sobreposição de uma determinada informação com referência nesses elementos, e um output. Não é difícil ver que cada uma dessas partes tem inúmeras variáveis, resultando em uma possibilidade criativa ilimitada. Porque não lançar um aplicativo para celulares que, ao filmar a fachada de uma determinada loja (pensei, por exemplo, no McDonalds), transforma aquela loja em algo completamente novo, por exemplo? Isso é só uma idéia… Imagine o que não pode realmente ser criado.

Eu creio realmente que a realidade aumentada é algo que vai ganhar muito espaço nos próximos anos e se infiltrará em nossas vidas, em campos muito além da comunicação (até porque ela é uma ciência muito mais ampla). Fico empolgado com as possibilidades que ela cria e por isso mesmo me decepciona um pouco o uso simplista que dão a ela. De qualquer forma, tudo começa de algum lugar…

Jannerson Xavier

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1 Response to “Quase uma realidade”


  1. 1 Thot 18/07/2009 às 10:04

    isso já vem sendo usado pra outras coisa. tecnologia talvez um pouco diferente, mas o mesmo princípio, http://www.youtube.com/watch?v=v7fQ_EsMJMs

    seria legal mostrar quem está escrevendo cada post.

    abraço.


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