Somos o exército do… do quê?

Vi, já faz algum tempo, a notícia do lançamento de um novo aplicativo – ou “ferramenta para comunicação e colaboração na internet” – que o Google vai lançar no final desse ano. E apesar de já fazer uma ou duas semanas que vi isso, ainda tenho pensado bastante nas milhões de possibilidades que isso pode proporcionar.

Estou falando do Google Wave. Uma ferramenta que está sendo alardeada como revolucionária nas dinâmicas sociais na internet. Bom, é assim que a notícia chegou até mim e, na realidade, é assim que o próprio Google está comunicando. A primeira vista não me impressionou muito, mas depois de mais de uma hora de palestra sobre o novo programa pude ver o potencial absurdo disso.

wavelogo

Para aqueles que, com razão, não vão ter saco de gastar 1h20 do seu dia pra entender o que é, faço um resumo: imagine uma ferramenta que, em seu mais básico, funcione como um MSN, Gmail e Google Docs ao mesmo tempo, somado a mais funcionalidades bem bacanas. Além disso, existem uma série de aplicativos que podem ser desenvolvidos para ele (já que ele será Open Source), como por exemplo um aplicativo para blogs. Então em um blog que utilizasse o Wave, um comentário seria convertido automaticamente, e em tempo real, em uma thread lá no Google Wave de quem quer que tenha adicionado o aplicativo no blog, e vice-versa.

Bom mesmo seria dar uma conferida para entender do que eu estou falando. Mas o que é importante é que ele possibilita uma convergência de dados de maneira absurda, como se todos os dados da internet fossem uma gigantesca wiki em tempo real. Um verdadeiro conhecimento coletivo. Até que algo mais revolucionário tome seu lugar, é claro.

E é essa questão do coletivo que chama atenção. De como as novas possibilidades da internet estão criando essa convergência de mentes e, talvez, trazendo de volta algo que vinha perdendo força, pelo menos em certos aspectos que serão abordados.

Estou falando das coletividades. Um grupo de pessoas unidas por algum ponto em comum. É importante frisar que essa união é consciente e voluntária, não estamos falando de categorização, de segmentação de público. O que se destaca dentre tantos “pontos em comum” existentes entre as pessoas é a ideologia, um conjunto de valores e crenças.

Porém mais importante que toda esta definição é compreender a noção de doação. A preterição do “eu” em favor do “nós”. O que digo que não existe mais – e obviamente não fui eu que criei essa idéia – é a crença real no valor coletivo acima dos valores individuais. O sacrifício em prol da causa. E exemplos da extinção desse compromisso não nos faltam. Chega a ser ridícula a busca desesperada pela tão sonhada autenticidade, a identidade pessoal. E o mundo da publicidade se refestela.

É exatamente por isso que chega a ser irônico que a internet, meio que potencializou essa “Era de Ouro do Egocentrismo”, transformando todos em celebridades, maximizando a difusão da individualidade, seja a responsável por trazer de volta a noção de uma coletividade com fim comum. Esse movimento já começou com as wikis, mas vejo que realmente a tendência é que se fortaleça cada vez mais.

Apesar de tudo isso, eu não acredito que essa “rendição ao coletivo” se dará da mesma forma de como foi um dia. Realmente não tenho pretensão de ver alguém dando a vida por alguma “causa 2.0”. E é exatamente esse o ponto: temos milhões unidos por algo, mas… pelo quê?

questionmark

Me parece realmente intrigante. Legiões de pessoas estão – e isso é fato – contribuindo em um conteúdo colaborativo, abdicando de autoria, ou seja, estão doando seu tempo, mas para qual fim? Com que objetivo?  O que move esse “sacrifício”? Apesar de não poder fazer muito mais do que conjecturar sobre a resposta, por enquanto, estou no aguardo da minha conta do Wave. Eu é que não vou ficar vendo o bonde passar.

Jannerson Xavier

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1 Response to “Somos o exército do… do quê?”


  1. 1 Lizette 08/05/2016 às 07:52

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    used to be having a look for. You have ended my four day long hunt!
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